Beyond Achondroplasia

Growing together with Clara

BMN-111 desmistificado

A ciência por detrás da nova molécula desenvolvida pela farmacêutica americana BioMarin apresenta-se lógica e e com elevada potencialidade de ser eficaz, no que refere a resgatar o crescimento ósseo, enquanto existirem placas de crescimento activas.

No artigo “Biologia desmistificada”, relacionei o receptor FGFR3 (que tem a função de regular negativamente do crescimento) com uma caixa do correio, em que a informação recebida é largamente ampliada quando o FGFR3 tem uma mutação. Lendo aquele artigo primeiro, penso que o que agora escrevo ficará mais claro.

O que a BioMarin desenvolveu é uma partícula que interrompe a cascata de sinalização do FGFR3 atenunado assim a quantidade de sinal que este envia à célula para não se dividir. Essa partícula designa-se por BMN-111 e é um péptido natriurético do tipo C (tal como o CNP). E desta forma, é possível recuperar o crescimento uma vez que a informação positiva e negativa voltam a estar mais equilibradas, como num crescimento típico.

Quando o FGFR3 recebe ligandos FGF, exerce controlo negativo no crescimento enviando por vários caminhos, sinais até ao ADN do núcleo do condrócito. E assim como existe controlo negativo (retração), também existe controlo positivo (estímulo) no crescimento ósseo: existe um receptor de controlo positivo designado por NPR-B (receptor-B de péptido natriurético) que quando recebe um ligando CNP (péptido natriurético do tipo C), envia sinais de crescimento ao mesmo tempo que interfere com uma das vias de sinalização mais importantes que surgem da ligação FGF-FGFR3

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Agora explicando a ciência de forma mais compreensível:

Imagine que a nossa casa tem não uma, mas duas caixas do correio, em que numa são colocadas cartas e na outra caixa é colocada publicidade. Vamos assumir que o FGFR3 é a caixa do correio onde é colocada a publicidade e que o NPR é a caixa onde são colocadas as cartas. De seguida, alguém dentro de casa abre ambas as caixas do correio e retira de lá a publicidade e as cartas. Pega em ambas e leva-as para a sala e quando coloca toda a correspondência sobre uma mesa, começa a fazer selecção do que recebeu: começa por abrir as cartas porque são prioritárias e a publicidade fica para depois, sendo que uma parte desta é deitada logo ao lixo.

As cartas chegaram ao seu destino e foram lidas com sucesso e a pessoa recebe a informação que nelas está contida. A publicidade chega igualmente ao destino, mas é selecionada sendo que só será lida a que tiver interesse.

Isto quer dizer que tanto o FGFR3 como o NPR cumprem as suas funções de informação à célula, com um crescimento progressivo e balanceado.

O que o BMN-111 vai fazer é o que um CNP faz:  aumentar a informação para crescer e reduzir a informação vinda do receptor mutante.

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